segunda-feira, 14 de junho de 2010

O primeiro jogo de Copa do Mundo a gente nunca esquece











Sim senhoras e senhores! Nós tivemos uma experiência fantástica hoje a tarde no Soccer City, local do jogo entre a razoável Holanda, que sentiu bastante a ausência do habilidoso Robben, e a fraquíssima Dinamarca, que poucas vezes passou do meio campo com o mínimo de eficiência aceitável para uma seleção que disputa uma Copa do Mundo. Mas considerando as péssimas partidas de até agora, o jogo até que não foi de todo ruim. Presenciamos dois gols (o primeiro apenas no telão do estádio, no replay, pois estávamos na fila do hot dog, hehehe) e no futebol isso é o que importa, não é mesmo?

Depois do café da manhã, a Mel foi tirar uma soneca e eu aproveitei para caminhar até a farmácia e comprar o desodorante, a espuma para barbear e o meu inseparável gel de cabelo que a Polícia Federal me confiscou no aeroporto em São Paulo alegando que cada item continha mais de 100ml cada. O bairro é bonito, “arrumadinho” e as pessoas, apesar de tímidas, são muito simpáticas. No começo achei estranho porque a maioria dos moradores ficava me olhando como se eu fosse um ET ou, por outro lado, um astro pop. Mas foi só eu cumprimentar um policial que estava parado na calçada para pedir informações, que percebi que eles não têm nada de antipático. Muito pelo contrário. Se você conversa com eles, eles te respondem com um sorriso ou algum “hi, hello, how are you?”. A impressão que dá é que eles têm um certo receio da gente e, por algum motivo, ficam com medo de falar conosco ou de nos cumprimentar.

Voltei pra guest house, coloquei uma roupa e fomos de van para o estádio. Quatro finlandeses pegaram carona conosco e fomos conversando até chegar ao Soccer City. Particularmente eu aprecio compartilhar esse tipo de experiência com pessoas de outros lugares do mundo. É interessante você poder contar aos outros como é o seu país e, mais interessante ainda, é descobrir inúmeras coisas que nunca imaginaríamos se não conversássemos com essas pessoas. O casal mais novo falava inglês fluente, mas os pais do rapaz não sabiam falar nenhuma palavra no idioma mais falado no mundo.

O motorista, de nome Robert, era sulafricano (ele vai nos levar ao jogo de quinta-feira, novamente no Soccer City), muito simpático e bastante comunicativo. O mico foi abrir a janela do carona (do lado esquerdo do carro...) para entrar um arzinho na van e ver a bandeirinha da África do Sul se desprender da janela e ficar pelo meio do caminho. Não sabia como me desculpar pro cara (e a Mel, pra ajudar, rindo de mim!), mas ele ficou super de boa e disse o famoso: “Don`t worrrry (com 4 R), shit happens”. Só rindo mesmo.

Bom, chegando ao estádio... já viram, né? Aquele mar de gente, todo mundo feliz, um clima extremamente amistoso. A torcida toda misturada, cerca de 40% de holandeses, 30% com a camisa de África do Sul (incluindo eu), 10% de Dinamarqueses, 10% com a camisa da Seleção Brasileira e outros 10% com camisas de outras seleções.

Além disso, como eu trabalho com marketing esportivo, acabo percebendo alguns detalhes que a maioria dos torcedores que assiste a uma partida de Copa do Mundo deixa passar despercebido, como o posicionamento das câmeras (especialmente aquelas que ficam em cima do campo, no melhor estilo PlayStation), a programação dos telões, o modo como as equipes entram em campo com a musiquinha de entrada e, em seguida, os respectivos hinos nacionais.
Quanto à organização do evento, como um todo, antes de ficar criticar isso ou aquilo, sempre faço minhas ponderações (o famoso Advogado do Diabo), até porque eu e meus sócios estamos acostumados a organizar eventos esportivos (especialmente os de futebol) e sei como é estar na pele da Organização. Tudo é culpa da “organização (o brasileiro é um povo muito paternalista, como diz o Mansur, quer tudo na mão).
Para mim a FIFA está de parabéns, pois tornou a Copa do Mundo em um evento de entretenimento, onde, como eu já falei anteriormente, torcer é conseqüência. O pessoal vai mesmo é pra se divertir.

Também gosto bastante de ficar analisando o posicionamento e a atuação dos jogadores em campo, como joga cada equipe, quantos escanteios cada time já cobrou, entre outros detalhes que só um verdadeiro alucinado por futebol consegue notar. E por falar nisso, o jogo em si não foi nenhum espetáculo, mas valeu o ingresso (até porque o ingresso inclui muito mais do que os 90 minutos que englobam a partida). Achei estranho a passividade da Dinamarca, que mesmo depois de levar o primeiro gol continuava sem pressionar e mal passava do meio-campo. Desse jeito não vai marcar nem um gol sequer no torneio, quanto mais passar de fase. Já a Holanda, nitidamente sentiu falta do craque Robben e a responsabilidade por fazer a bola chegar aos pés do perigoso Van Persie ficou toda por conta do outro craque do time, o Sneijder.

Nunca havia presenciado um público de 84 mil pessoas em uma partida de futebol (e olha que eu já fui em final de Campeonato Brasileiro, final de Libertadores, clássico espanhol no Santiago Bernabeu). É muita gente.

Depois do jogo, fomos dar uma volta pelo estádio. Tiramos foto com a “taça do mundo”, nas mãos de um holandês levemente embriagado, conversamos com alguns voluntários, demos algumas risadas com cada figura que aparece pra torcer e, antes de irmos embora, aprontamos algo típico de brasileiro: ao passar na frente de um dos zilhões de camarotes espalhados pelo estádio, vimos uma faxineira saindo dele e a porta ficou “meio aberta”, despertando nossa curiosidade sobre como seria por dentro um camarote de uma partida de Copa do Mundo FIFA. Como ninguém veio dizer que era proibida a entrada de pessoas não autorizadas (hehehe), resolvemos matar a curiosidade e entramos. Lá dentro, um monte de crianças típicas sulafricanas, todas bem arrumadas, muito provavelmente alunos de alguma escola da região, brincavam e comiam à vontade, surpreendentemente sem a presença de adultos chatos e inconvenientes por perto para controlá-las.

Como ninguém falou nada, fomos avançando, cumprimentando os garçons na maior cara de pau do mundo. Depois de babar um pouco com a vista ANIMAL do camarote, resolvemos beliscar alguns quitutes espalhados pelas mesas e bancadas, como se fôssemos “da casa”. Pegamos algumas bebidas, conversamos com uma das garçonetes e nos despedimos.

Na saída ainda “explorei” (no bom sentido, é claro) um sulafricano ao pagar 18 rands (R$ 4,50) por um sorvete bastante saboroso que ele estava vendendo por 25 rands (coitado, foi oferecer logo pra quem, né?).

Quando chegamos no ponto, o motorista e os finlandeses estavam nos esperando e retornamos à Guest House. And that`s it my friends. Amanhã tem a estreia do Brasil na Copa e nós estaremos lá, marcando presença e torcendo pela nossa seleção. See you tomorrow. Aproveitem as fotos abaixo!

Chap chap!

Thiago & Marmel

Um comentário:

  1. Thiago, te tienen que dar un premio periodístico ...Un escrito ameno y sobre todo bien especificado todo...Creo que tu maestro ( yo, claro ) te enseñó bien...je,je..Ya sólo falta que se vea algún partido de futbol de verdad..porque payasadas llevamos unas cuantas..Abrazo y beso para Mel...Vamos, España..!! Gerardo...

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